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Dos Cárpatos

Porquê sete anos? Quando se abrem as campas nos Cárpatos

Em algumas regiões da Roménia uma campa não fica fechada para sempre. Ao fim de sete anos é aberta, os ossos são lavados e sepultados uma segunda vez. O prazo não é uma norma administrativa. É o fim de um calendário que começa no dia da morte.

Quem ouve falar disto pela primeira vez julga tratar-se de um boato. Não é. A segunda sepultura — em romeno dezgropare, o desenterrar — faz parte da memória dos mortos em várias regiões da Roménia, e segue uma ordem mais antiga do que qualquer regulamento de cemitério.

O que acontece no sétimo ano

A campa é aberta na presença da família e de um sacerdote. Os ossos são retirados e limpos — segundo os relatos mais antigos, com água e vinho. Depois são envolvidos em linho lavado, colocados num caixão mais pequeno e sepultados de novo. Um ofício religioso acompanha o acto e, a seguir, dá-se a última refeição fúnebre, a última pomană por aquele defunto.

Não é um acto clandestino nem tem nada de suspeito. É uma cerimónia, a terceira e última das grandes, depois do enterro e do quadragésimo dia. Quem esteve presente descreve muitas vezes a mesma coisa: a naturalidade dos participantes. Ninguém estremece. Trabalha-se, reza-se e depois come-se.

A vantagem prática é evidente: uma sepultura de família pode voltar a ser usada. Uma mulher pode ser deposta junto ao marido mesmo que a campa dele ainda estivesse demasiado recente quando ela morreu. É de longe o motivo mais frequente.

O calendário dos mortos

Porquê precisamente sete anos? A resposta não está no folclore, mas na liturgia.

A Igreja Ortodoxa não recorda o defunto uma única vez, mas segundo uma sequência fixa. O primeiro parastas, o ofício dos defuntos, celebra-se ao terceiro dia, depois ao nono, depois ao quadragésimo. Seguem-se os ofícios aos três, seis, nove e doze meses — e depois todos os anos, até ao sétimo.

Cada um destes números tem uma razão. O terceiro dia recorda a Ressurreição ao terceiro dia e a Trindade. O nono representa os nove coros de anjos, em cuja companhia a alma deve ser acolhida. O quadragésimo remete para a Ascensão, ocorrida quarenta dias depois da Ressurreição: marca a subida da alma.

E o sétimo ano é o fim. Depois já não há mais parastas para aquela pessoa em particular; ela passa para a memória geral da Igreja, que vale para todos os defuntos.

É esta a resposta à pergunta. Sete anos são o tempo que cabe a cada um. Durante esse tempo reza-se por ele pelo nome, durante esse tempo a sua campa continua a ser a sua campa. Quando o prazo termina, também a terra concluiu o seu trabalho — e só então se pode olhar.

Os quarenta dias

Antes dos sete anos vêm os quarenta dias, e são o período mais perigoso.

Segundo uma crença difundida, a alma não abandona o corpo de imediato. Permanece por perto, percorre os lugares onde viveu, e só ao quadragésimo dia encontra o seu lugar. Durante esse prazo a campa é considerada inacabada — e nalgumas regiões era vigiada. Se nessas semanas adoecia uma criança, se morria o gado, se vários parentes sonhavam o mesmo, a suspeita recaía sobre o recém-sepultado.

Desta ideia vem também a regra de que ainda hoje se fala ao pé das montanhas: se uma voz te chamar de noite pelo nome, não respondas. Quem responde confirma àquilo que chama que ainda ali está.

O que se temia encontrar

Quando se abre uma campa ao fim de anos, há um resultado desejado: ossos limpos e secos. Significam que a terra fez o seu trabalho e que a alma seguiu o seu caminho. É uma confirmação, não um horror.

O horror é o outro caso. Um corpo que ao fim de anos não se decompôs — inchado em vez de encovado, com cor no rosto, com cabelo e unhas que parecem ter continuado a crescer — era tomado como prova de que algo não estava certo. Deste achado nasceu a ideia do strigoi, o morto que não descansa.

Que existam razões sóbrias para isso — solo argiloso, frio, um caixão bem selado, a formação natural da gordura cadavérica — não se sabia. Sabia-se apenas o que se via, e agia-se em conformidade.

Por isso havia medidas preventivas muito antes de alguém ir ver. Alguns mortos eram sepultados de bruços, para que, se quisessem cavar, se afundassem mais na terra em vez de subir. A outros punha-se um espinho na boca ou uma foice atravessada sobre o pescoço. Consideravam-se particularmente em risco os que tinham morrido sem baptismo, sem confissão, de forma violenta — e nalgumas zonas também o sétimo filho de um sétimo filho.

Também aqui reaparece o sete. Neste espaço cultural não é um número qualquer.

Onde o prazo vale — e onde não

É o ponto em que a maioria dos relatos se torna impreciso: não vale em toda a Roménia.

O costume está mais firmemente enraizado na Moldávia e nos distritos vizinhos. Na Valáquia o desenterramento foi durante muito tempo invulgar e só era permitido em casos especiais. No campo o prazo é além disso mais elástico do que o número sugere: nalguns lugares abria-se ao fim de três ou quatro anos, se a campa fosse precisa.

Juridicamente, a trasladação de restos é possível na Roménia decorridos sete anos, na presença da administração do cemitério. A norma do Estado e o prazo da Igreja coincidem, portanto — o que raramente é acaso.

Os ossários dos mosteiros

Nos mosteiros seguia-se a mesma ordem com ainda maior rigor. No mosteiro de Neamț, um dos mais antigos da Roménia, os ossos dos monges falecidos eram retirados da terra ao fim de sete anos e levados para uma sala na cave: um ossário. Nos crânios escrevia-se o nome do monge e o cargo que tinha ocupado no mosteiro. A prática está documentada desde o século XVIII.

Quem hoje ali está vê prateleiras cheias de crânios inscritos. Para os monges isso não é macabro, mas o contrário: a prova visível de que ninguém é esquecido.

O que ficou

Poder-se-ia arrumar tudo isto no século XIX. Seria cómodo e falso.

A segunda sepultura ao fim de sete anos pratica-se até hoje, com toda a naturalidade, com sacerdote e refeição de família. E ainda em 2004 houve em Marotinu de Sus, no sul da Roménia, um caso que chegou à imprensa internacional: habitantes abriram uma campa por acreditarem que o defunto era um strigoi, retiraram-lhe o coração, queimaram-no e beberam as cinzas dissolvidas em água. Seguiu-se um processo judicial. Os envolvidos não compreendiam de que eram acusados.

Entre estas duas coisas — a ordem serena da Igreja e o que acontece quando alguém tem medo — situa-se exactamente o espaço em que decorrem as Crónicas dos Cárpatos.

De onde vem este conhecimento

A descrição antiga mais detalhada vem da etnóloga Agnes Murgoci, que em 1919 publicou na revista britânica Folk-Lore os seus apontamentos sobre os costumes fúnebres romenos; em 1926 seguiu-se o seu conhecido trabalho sobre a crença nos vampiros na Roménia. Muito do que hoje se escreve sobre os strigoi remonta a estes dois textos.

O resto não se pode ler em lado nenhum. É preciso ter estado lá.

As Crónicas dos Cárpatos de Corben Vale contam exatamente este tipo de histórias — baseadas em factos reais. O Vilarejo dos Enforcados e Stafii são publicados a 15 de outubro de 2026 em sete idiomas.

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